Jogos que ninguém jogou (mas eu joguei) – Parte 3

É, acho que deve ter mais de um mês que eu interrompi minha série de posts (se é que se pode chamar assim) sobre jogos meio obscuros que eu acho muito interessantes. O jogo sobre o qual escrevo hoje é “The Temple of Elemental Evil”, uma adaptação eletrônica do homônimo cenário clássico para D&D. Se você só leu até aqui e não entendeu nada, pare de ler.

Como mencionado, The Temple of Elemental Evil  é uma adaptação direta (e bastante fiel) de um RPG “pen-and-paper”. O sistema utilizado é o D&D 3.5, já que o jogo foi publicado pela Atari em 2003, tendo sido produzido pela Troika (uma companhia focada principalmente em RPG’s, capitaneada por Tim Cain – um dos cérebros por trás de Fallout).

Considerada a data de seu lançamento, seus gráficos são até bacanas. A começar pela escolha dos desenvolvedores em utilizar visão isométrica – que eu acho ideal para RPG’s -, toda a sua parte gráfica se encaixa bem na proposta de reproduzir a experiência de um jogo de RPG de mesa (ou tem alguém aí que joga RPG se imaginando numa visão de FPS, segurando uma serra elétrica e correndo enquanto chuta com as duas pernas simultaneamente?).

O mais importante nessa coisa de “simular um RPG clássico” é a maneira como os desenvolvedores lidaram com dois aspectos do jogo: o combate e o enredo “open-ended”. O combate em ToEE segue à risca (ou quase isso) as regras de D&D com turnos bem divididos, iniciativa, rolagem de “dados”, etc. Claro que alguns detalhes tiveram de ser adaptados para que o jogo não se tornasse maçante, mas no geral pode-se dizer que obtiveram sucesso. Assim que o combate é encerrado, retorna-se para o tempo real. Quanto ao enredo “open-ended”, isso simplesmente quer dizer que você é livre para explorar o mundo e fazer o que quiser, inclusive ignorar totalmente a quest principal, se quiser, criando suas próprias (e autistas) quests. Nesse ponto eu admito que exageraram, pois é realmente aberto demais e, em dados momentos, fica difícil “juntar” as informações fornecidas e criar uma motivação real para se prosseguir na quest. Tudo depende bastante da vontade do jogador de, literalmente, interpretar um personagem e criar seu próprio caminho em direção ao Templo. E isso não funciona sempre.

Sobre seu enredo, ainda é bom ressaltar que, como em um bom RPG minimamente COERENTE, o alinhamento de seus personagens tem grande influência na maneira como a história se desenvolverá. Até mesmo a vinheta inicial depende dessa escolha. Resumidamente, e evitando spoilers, o roteiro do jogo gira em torno de um Templo (ooooooh) de onde emanam energias malignas e que, após ser abandonado por anos, volta a ser ocupado por cultistas levemente desequilibrados.

Quanto aos personagens, acho que pode-se dizer que ToEE segue o padrão clássico de D&D: começa-se pela criação de um grupo de um a cinco aventureiros, nos moldes de Baldur’s Gate e afins, em que é possível escolher suas classes, alinhamentos, atributos (na rolagem de dados), habilidades, retrato e tom de voz, entre diversos outros aspectos.

Sim, eu rolei os dados 76 vezes apenas para conseguir atributos equivalentes aos de uma galinha

Há também npc’s a serem recrutados pelo jogador e, apesar de não tão brilhantes como os de Jagged Alliance 2, até trazem algum nível de diversão e imersão. Interessante também mencionar que o jogo criou polêmica na época de seu lançamento pela possibilidade de haver um casamento gay entre um npc e o personagem principal. Oito anos depois o STF resolveu seguir a onda por aqui. Só não ficou claro, no caso do Brasil, quem na relação fica sendo o npc e quem fica sendo o personagem principal (tudum-pá!). Ok, péssima piada.

ToEE (eu sei que deveria ser TToEE) é, na minha opinião, a mais fidedigna representação eletrônica do que é um jogo de RPG pen-and-paper. O jogo infelizmente não chegou nem perto do sucesso que Baldur’s Gate fez, e não vendeu nem um milésimo das cópias que Neverwinter Nights vendeu, mas para um fã de RPG’s clássicos é um jogo tão bom quanto. Contudo, o jogo ainda tem uma sobrevida graças a dedicadas comunidades de fãs, como o Circle of Eight, sempre corrigindo bugs presentes no jogo e até mesmo expandindo e aprimorando sua jogabilidade. Recomendo muito, a quem se interessar pelo jogo (disponível no GOG.com), que instale o mod criado pelo Circle of Eight, que introduz uma tonelada de conteúdo novo ao jogo – que já é bom, originalmente.

Anúncios

3 Comentários on “Jogos que ninguém jogou (mas eu joguei) – Parte 3”

  1. Fernanda disse:

    Parei de ler.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s