Um post sobre nada

Outro dia um amigo definiu meu blog como “um blog sobre nada”. A princípio eu pensei em argumentar e dizer “claro que não, é um blog sobre…” mas não consegui sequer completar a cadeia de raciocínio. Então é isso mesmo. É um blog sobre nada. A magia disso é que eu não preciso me prender a nenhum tema. Eu posso escrever sobre o que eu quiser aqui. Ironicamente, um blog sobre nada me permite escrever sobre tudo.

Hoje eu escolhi compartilhar alguns pensamentos acerca da religião no mundo. E já aviso que sou agnóstico beirando o ateísmo, portanto não espere nenhum tipo de pregação patética sobre como o sangue de Jesus tem poder.

O embrião de praticamente todas as religiões se apoia em dois pilares: a necessidade de se explicar tudo aquilo que o ser humano ainda não tinha capacidade de compreender e a urgência em estabelecer regras de convívio social que permitissem a co-existência pacífica entre os integrantes de um mesmo povo (ou quase isso). O segundo aspecto para mim é especialmente importante porque demonstra que a religião foi a primeira fonte de normas para resolução de conflitos e condutas socialmente aceitáveis em geral. Ainda que muita coisa se resolvesse com derramamento de sangue naquela época, as religiões buscaram criar alguma forma aceitável de justiça (mesmo que divina) para resolver problemas do cotidiano.

Por sorte o raio atingiu duas pedras que estavam no chão. Acho que ninguém ia curtir ter que olhar pra bunda de Moisés pra consultar os dez mandamentos.

Várias passagens do Velho Testamento não deixam dúvidas sobre esta função, por exemplo:

“Quem tiver ferido de morte um animal doméstico, dará outro em seu lugar: vida por vida.”
Levítico 24:18

É claro que naquela época haviam valores diferentes e algumas normas eram um pouco extremas:

“O filho de uma mulher israelita, tendo por pai um egípcio, veio entre os israelitas. E, discutindo no acampamento com um deles, o filho da mulher israelita blasfemou contra o santo nome e o amaldiçoou. Sua mãe chamava-se Salumite, filha de Dabri, da tribo de Dã. Puseram-no em prisão até que Moisés tomasse uma decisão, segundo a ordem do Senhor. Então o Senhor disse a Moisés:
‘Faze sair do acampamento o blasfemo, e todos aqueles que o ouviram ponham a mão sobre a sua cabeça, e toda a assembléia o apedreje’.”
Levítico 24:10-14

Liberdade de opinião não era um conceito popular naquela época.

Enfim, deu pra entender meu ponto. A religião serviu para regular a vida dos homens enquanto estes estavam muito mais próximos da selvageria do que da vida pacífica em sociedade, já que não haviam outros meios de controle social. Toda a noção de certo e errado provinha da sabedoria “divina”, já que o homem médio naquela época tinha um entendimento bastante limitado acerca da organização social e do próprio mundo que o cercava.

Hoje temos métodos científicos estabelecidos e milhares de anos de experiência adquirida sobre como viver em sociedade (apesar de ainda assim termos problemas), e as pessoas continuam precisando de algo maior do que a vida para acreditar – seja por estupidez, desesperança ou tradição. Eu concordo que realmente precisamos acreditar em alguma coisa. Só não acho que a escolha mais acertada seja crer em explicações totalmente absurdas que conflitam diretamente com dados científicos comprovadamente verdadeiros (tipo aqueles malucos que negam as teorias de Darwin e dizem que dinossauros nunca existiram), e que muitas vezes vão contra a evolução da compreensão humana a respeito de si mesma e do universo.

O modelo tradicional de religião já se mostrou completamente incapaz de fazer o que fazia antes: não consegue exercer de maneira eficiente o controle social de modo a pacificar a vida em sociedade,  e também não consegue explicar mais nada de maneira coerente. No fim das contas, a Justiça e a Ciência tomaram seu lugar nestes papeis. À religião restou a tarefa de servir de “muleta” para que as pessoas se apoiem e não precisem pensar muito, dando uma falsa esperança de que há algum tipo de ente superior responsável pelas desgraças no mundo – é bem menos complexo do que entender todas as variáveis necessárias para que algo ruim ou algo bom ocorra.

Se você vai acreditar em algo, acredite em você mesmo, nas pessoas que ama, no potencial humano e na capacidade de afetar tudo a sua volta e ser igualmente afetado com suas ações; a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em direções opostas. A terceira lei de Newton pode ser lida de maneira análoga às palavras de uma figura conhecida no catolicismo:

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”. 
Mateus 7:12 

Err, quem disse isso foi Jesus, pra quem não sabe. Ele aparentemente não sabia escrever, no entanto.

Eu dei uma ultra-simplificada na minha opinião porque deu preguiça de continuar escrevendo. Viver em sociedade é bem mais complicado do que seguir uma frase dita por Jesus, mas enfim, esse é definitivamente um bom ponto de partida.

Eu nunca pensei que fosse escrever um texto citando a Bíblia. O título não tem nada a ver com o que acabei escrevendo aqui, mas o blog é meu e eu quis assim. Um site bastante interessante é o The Brick Testament, que ilustra passagens absurdas da Bíblia com peças de lego.

Ps.: Jesus foi só um cara; um cara bastante inteligente e sábio, como todos os grandes filósofos, mas só um cara.

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4 Comentários on “Um post sobre nada”

  1. Fernanda disse:

    Jesus foi só um cara… BOMBA!!!!

  2. Fernanda disse:

    ATUALIZA ESSA JOÇA!!!!!


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