Documentários sobre merda que não existe

Hoje em dia diversos canais exibem documentários sobre eventos envolvendo alienígenas, fantasmas, animais fantásticos, seres e fenômenos sobrenaturais em geral. Aliás, existem documentários sobre quase qualquer assunto, seja ele pertinente ou não. Desde aquela famigerada cena da necrópsia do extraterrestre no Fantástico, os programas que exploram elementos desse tipo passaram a me atrair mais. São alguns dos melhores programas de comédia involuntária da TV. Eu tenho certeza que quase ninguém concorda comigo, porque os documentários são realmente feitos para serem sérios e os apresentadores sempre acreditam que vão conseguir filmar um fantasma, o Sasquatch, um alienígena e o chupacabra, todos juntos em uma confraternização.

Só que nunca filmam. Sabe por que? Porque essas coisas todas existem, aparecem todos os dias pra todo mundo e sempre são filmadas na câmera de baixa resolução de alguém que sofre do Mal de Parkinson, mas elas não concordam com o corporativismo da mídia capitalista. Se recusam a participar deste espetáculo sensacionalista em que a informação é só mais um produto e o conhecimento é manipulado e enlatado para se enquadrar nos interesses políticos e econômicos da elite dominante. Sem falar que as equipes sempre aparecem para fazer seus documentários nos dias de folga dos e.t’s, aparições fantasmagóricas e demais seres sobrenaturais.

A gente começa a pensar quando as pessoas se perguntam se um toco num lago é um elasmossauro.

E assim começa a comédia involuntária. Primeiro porque quem produz esses programas são pessoas que genuinamente acreditam nessas coisas. Geralmente o cara que teima que vai conseguir provar a existência de seres ou fenômenos sobrenaturais é aquele que mora numa casa completamente entulhada de posters, porcaria sem sentido e variada baboseira pseudo-científica que, de acordo com ele, deixa claro que estes seres ou fenômenos existem. Esse cara é aquele desequilibrado levemente divertido com quem ninguém consegue discutir por mais de 10 minutos porque, quando se discute com alguém que não se prende à realidade científica de fatos devidamente comprovados como base de seus argumentos, você está sempre errado – e invariavelmente acaba sendo chamado de alienado. É óbvio que também existem milhares de charlatães explorando “o sobrenatural” por aí, mas em geral eles não vão parar no Discovery ou History Channel e sim em algum programa de comédia, vestidos de alienígena, segurando uma lanterna e pedindo pra pegar uma concha da mão dos outros.

Segundo porque, em 100% destes documentários, a equipe chega ao local onde aparentemente todo dia aparece um fantasma/e.t./chupacabra/pé-grande/unicórnio/político honesto e o ser em questão não aparece. Nem rastro. Nem uma pegada, nem um tufo de pêlo. NADA. Os apresentadores então se veem obrigados a ter que forçar a barra porque oras, uma fucking emissora internacional entregou um caminhão de dinheiro pra eles fazerem um documentário e, se não tiver nada pra filmar, não tem documentário, não tem audiência, não tem retorno financeiro, mas tem um contrato que certamente irá estuprar os pobres documentaristas caso não seja cumprido.

“OLHE LÁ! ISSO É INCRÍVEL, VOCÊ ESTÁ VENDO O MESMO QUE EU? UM RARO DRAGÃO ALBINO MALIGNO EM FORMA DE CACHORRO VINDO EM NOSSA DIREÇÃO! É EXATAMENTE COMO FALAM AS LENDAS LOCAIS, MAL POSSO ACREDITAR”

Assim, como não encontraram nenhum traço real de que o objeto de sua busca existe, os intrépidos documentaristas resolvem colher depoimentos de quem supostamente teve mais sucesso. Nunca é alguém confiável. Simplesmente não se vê alguém sociável, psicologicamente saudável e bem sucedido de olhos arregalados falando por aí que viu um chupacabra comer seu rebanho de ovelhas inteiro. É sempre uma pessoa solitária e carente que mora numa casa de madeira em um ponto remoto onde fica sem nenhum contato humano por dias ou semanas. É sabido que nessas condições a mente humana não funciona bem.

Apesar de ser bastante cético, sou adepto da ideia de que conhecemos relativamente pouco até mesmo do planeta em que vivemos – diversas espécies de animais e novos fenômenos físicos e químicos são descobertos regularmente. Sendo assim, é bem possível que haja ainda muitos animais e fenômenos bizarros a se descobrir. Mas sério, no desespero de fazer um documentário chinfrim qualquer, vocês estão passando vergonha (ok, e enchendo o rabo de dinheiro, mas enfim)! É só um toco/eco/reflexo à distância! Não é um pé-grande, uma aparição fantasmagórica maligna ou um OVNI. A desculpa para até hoje nenhum documentário ter provado absolutamente nada a respeito da existência de seres ou fenômenos sobrenaturais é a de que estes seriam eventos “sutis” e difíceis de se registrar. Tá, você me diz que um primata hominídeo de 2 metros e meio é SUTIL? Por outro lado, se me disser que ele é mais esperto que você, eu acredito. Porque faz bastante sentido. E ele deve ter habilidades psíquicas também, já que sempre adivinha quando que equipes de filmagem vão estar lá nas redondezas de seu humilde lar e resolve sair de férias pra Acapulco na mesma época, pois não aguenta todo esse assédio.

Há uma explicação lógica e bastante simples para isso tudo: se estão fazendo um documentário para provar algo muito absurdo e óbvio que ainda não foi descoberto, é porque tal coisa não existe. Por outro lado, se não é necessário fazer um documentário para provar a existência de determinado ser ou fenômeno, este é indiscutivelmente real. Um exemplo clássico: nunca fizeram um documentário sobre o monstro que habita os espaços existentes embaixo das camas à noite, especialmente quando se está sem sapatos e demorando muito para colocar os pés de volta na cama. É… Ou algo assim.

Surpreendido enquanto fazia cooper, o Pé-Grande nunca mais deu mole pra papparazzis e vive atualmente no ostracismo. Chupa, Revista Caras.

Neste texto foi dada mais ênfase ao Pé-Grande, alienígenas e monstros em geral porque fantasmas dão um medo da porra e são totalmente reais, além de poderem estar em qualquer lugar – na minha casa eu tenho certeza que um fantasma acaba com a manteiga além de esvaziar o filtro d’água e não encher de novo. Então prefiro evitar falar muito pra não ser assombrado durante a noite.

Concluindo… Seilá. Foda-se.

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