Primo rico, primo pobre

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Lembra de quando você era criança e no natal tinha aquela enorme reunião de família na sua casa? Recorda-se de seus parentes colocando os presents comprados debaixo da árvore natalina?

Então bem, chegada a hora da distribuição de mimos você, como todo bom juvenil ganancioso, ia direto naquele presente grande, com papel bonito, cheio de fitas e enfeites.

Porém, meio segundo depois, sua tia rica pega o presente da sua mão e profere uma frase que nunca mais desejaria escutar em sua vida:

– Não não. Esse presente não é para você.

Você, internamente, retrucava:

“Isso não é justo! O presente está na minha casa, ele tinha que ser meu!”

Mas não é.

É basicamente isso que acontece com o preço oficial do PS4 no Brasil. Ele não é para você, bom rapaz trabalhador, que dá sangue e suor para obter seu salário ao final do mês.

O PS4 é para seu primo mimado, que não faz a menor ideia do valor do dinheiro e depois ficará esfregando o que ganhou na sua cara até você conseguir comprar um, após meses economizando.

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Algumas razões para o Brasil ser como é…

Eu vejo muita gente reclamando da classe política no Brasil, e sempre convido essas pessoas a refletirem a respeito do real sentido da democracia. Democracia significa o governo do povo (demos = povo + kratos = poder), e se realiza modernamente através da representação popular no governo. Sim, representação popular, o vereador eleito representa diretamente a população que o elege. Esse é um fato que muitas pessoas se esquecem, ao chamá-lo de corrupto; esquecem de olhar para si mesmas, para seus semelhantes. Esquecem que muitos de seus amigos e entes queridos praticam diariamente o “jeitinho brasileiro“, que nada mais é do que uma forma branda de corrupção/subversão de normas sociais, na maioria dos casos.

Sob este ponto de vista um pouco mais esclarecido, podemos dizer que nossos políticos representam com fidelidade grande parte da população. Exemplos… perca sua carteira em uma boate, esqueça algo em um táxi, raciocine um pouco sobre as margens de lucro obtidas por comerciantes brasileiros. Em nossa sociedade prevalece o mais esperto, estamos constantemente querendo levar vantagem sobre o outro, sobre o governo, sobre tudo e sobre todos. Ninguém se importa com o país, apenas com o próprio nariz (e bolso, principalmene). Não existe um sentimento de respeito ao próximo enquanto conterrâneo (ou mesmo enquanto outro ser humano), não há um verdadeiro espírito patriota (ao menos fora da época da Copa do Mundo).

Mas por quê vivemos assim? Por quê o Brasil é essa zona? Vou tentar estabelecer alguns pontos que, penso, explicam um pouco desse contexto.

1) Colonização

Esse fator todos nós aprendemos na escola, bem cedo. Fomos uma colônia de exploração, ou seja, desde o princípio nunca houve a intenção em formar uma nova nação, e sim de apenas retirar tudo que havia de valioso para sustentar as dívidas de um reino em crise. Dessa maneira nosso desenvolvimento foi inteiramente voltado, nos primeiros trezentos anos, a servir aos interesses de Portugal ao invés de se construir uma nação forte, auro-suficiente e bem preparada para o futuro.

2) Imaturidade

Considerando o ponto anterior, apenas passamos a nos preocupar com nosso próprio futuro a partir do momento em que nos tornamos independentes (o que por sinal foi obtido nada mais do que através de uma carta de alforría). Na realidade a côrte portuguesa até investiu no Brasil quando foi obrigada a se refugiar no Rio de Janeiro, fugindo das tropas de Napoleão – mas tudo o que foi feito visava atender unicamente os interesses da nobreza portuguesa, portanto não se trata de investimentos feitos visando de fato a infraestrutura brasileira. Nossa história enquanto país independente tem menos de duzentos anos. Somos um país novo e, sobretudo, um povo novo, imaturo. Um povo que, enquanto cabeças literalmente rolavam na França em defesa da liberdade, igualdade e fraternidade, apenas começava a criar algum tipo de sentimento patriota.

3) Nunca lutamos por nada

Sei que lutamos sim algumas guerras e enfrentamos movimentos separatistas em nossa história, porém nunca de fato sofremos uma grande ameaça. A Guerra do Paraguai nada mais foi do que um plano orquestrado pela Inglaterra para desestabilizar aquele país que, a passos largos, se tornava uma potência econômica nas Américas. Nossa independência foi comprada de Portugal, passamos décadas pagando por isso. Nunca enfrentamos uma guerra civil. Nunca o povo brasileiro precisou se unir, verdadeiramente, para se defender, para defender seu patrimônio, sua história. Claro, houve a ditadura militar, o movimento das Diretas Já, mas isso não se compara a uma guerra, seja ela externa ou interna. Momentos de dificuldade têm a capacidade de unir cidadãos em prol de uma nação e promover o amor à pátria, à sua independência e autonomia. Apenas quem já esteve ameaçado de perder sua soberania nacional sabe o valor que ela tem.

4) Fatores culturais

Somos um país festivo. É assim que nos vemos, é assim que nos veem. Temos um clima muito agradável, perfeito para ficar à beira da piscina/praia. Todo começo de ano tem Carnaval, alegria geral. Somos aficcionados pelo futebol há quase 100 anos (quase metade de nossa história enquanto nação livre). Além disso somos uma nação formada por diversos grupos étnicos, cada um com sua própria cultura, vindos em épocas diferentes, o que de certa forma dificulta uma identificação geral. Cada grupo está mais preocupado com seus “semelhantes” do que com seus conterrâneos

5) Ciclos viciosos

Pode parecer uma teoria da conspiração, mas não é: alguns grupos sócio-políticos e econômicos já perceberam o potencial que o povo brasileiro tem para ser alienado. Sendo assim, se torna muito fácil suprir o povo com pão e circo, dando-lhe uma educação pública insuficiente para formação de senso crítico e vocação política. É muito mais fácil dominar um povo que não conhece seus direitos, que não conhece sua sociedade e sua política. O ciclo vicioso funciona assim: a criança tem uma má educação, não se torna efetivamente um cidadão ativo ao crescer (seja por não querer – afinal o campeonato brasileiro é muito mais divertido – ou por não ser instigada por seus pais, pela escola, pela sociedade), e permite que novos políticos corruptos se perpetuem no poder. Isso quando a própria pessoa não resolve pensar “ah, quer saber… se todo mundo rouba lá, vou roubar também”.

Sendo assim, quando for reclamar que o Brasil é um lixo e os políticos são uns corruptos, dê uma boa olhada para seus amigos, familiares e para si mesmo. Você pode se surpreender…


Chocolate de LSD

Eu não sou publicitário. Eu até pensei em fazer Publicidade e Propaganda no vestibular, mas o mesmo pode ser dito sobre quase todos os cursos, eu acho que só não pensei em fazer Matemática naqueles tempos conturbados. No entanto, eu assisto bastante sempre deixo ligada a televisão pra me fazer companhia e, de vez em quando, alguns comerciais acabam chamando minha atenção. Geralmente por aspectos negativos.

Desta forma, resolvi que de vez em quando analisarei alguns desses comerciais, mesmo sem ter nenhum preparo profissional para isso. É claro que minha intenção será, quase sempre, ridicularizar o rumo que a publicidade tomou apelando para fórmulas batidas ou simplesmente indo pra caminhos totalmente absurdos.

Como o comercial que vi ontem:

Sério, eu vou enumerar algumas coisas pra facilitar:

1- Não pode entrar com chocolate em nenhuma Biblioteca séria. E essa parece ser bem séria.

2- Tem uma galera estudando e a mulher, que já tá na rebeldia entrando com chocolate, começa a fazer aquele barulho de plástico abrindo. Muito desagradável.

3- Olha como ela quebra o chocolate. Em 0:04. Na boa, ninguém tem a manha de quebrar chocolate assim, e quando tenta acaba formando um triângulo bizarro que vai totalmente contra as normas estabelecidas pra comer chocolates divididos em paralelepípedos. Além de ser necessária uma força enorme pra quebrar da maneira que ela quebrou. Aí já dá pra sacar que as coisas vão ficar estranhas…

3b- Ela quebra o chocolate em cima de um livro aberto. Sinceramente, espero que o livro seja DELA pelo menos porque qualquer leitor sensato sabe que os farelos de chocolate cairiam nas páginas e causariam manchas. E eu tenho certeza que uma biblioteca séria dessas, apesar do lapso de deixá-la entrar com chocolate, tem uma política bastante estrita com relação a manchas em seu acervo.

4- Em seguida ela morde e… sente um vento refrescante? Sério? Chocolate refresca? No meu mundo chocolate até deixa meio com calor, pois é açúcar/energia. Se fosse um chocolate de menta ou hortelã, dava pra entender…

5- Mas tá, ela come, rola a brisa, começa uma música… e a LOUCURA COMEÇA. Eu não sabia que “chocolate ao leite” era sinônimo para “chocolate batizado com LSD”. Um pégaso surge no meio da biblioteca, vindo de baixo? E o pior, é um pégaso com asas bem mal feitas… Parece que usaram penas de ganso, o que é uma lástima. Porém é até compreensível pois penas de pégaso autênticas são um pouco raras.

6- A protagonista da propaganda mais uma vez se revela uma facínora completamente alheia a regras e resolve pular com o pégaso pela janela da biblioteca. Putz, isso é proibido em tantos níveis que eu nem posso começar a explicar. E o pior: dá pra ver em 0:19 que trata-se na verdade de um atentado contra o pobre pégaso, pois as asas dele claramente não vão passar pela abertura da janela. É por esse tipo de coisa que pégasos não aparecem tão frequentemente.

7- Ela pula pela janela com seu pégaso de asas que deveriam ter quebrado e em menos de 1 segundo já tá acima das nuvens. É tipo um pégaso a jato. Eu usaria um capacete, se fosse ela.

8- Em 0:27, ignorando completamente tudo que se conhece sobre pégasos, nosso amigo voa sem bater asas, e até solta um relincho amistoso, apesar de o ar naquela altitude ser rarefeito demais para animais (ainda que mágicos).

Eu podia fazer mais observações mas, no geral, achei a propaganda muito boa. De verdade. Peguei direitinho a mensagem que eles queriam passar. Além do mais, eu sempre quis sair aloprando por aí montado num pégaso, e graças à Lacta agora isso é possível!


Um post sobre nada

Outro dia um amigo definiu meu blog como “um blog sobre nada”. A princípio eu pensei em argumentar e dizer “claro que não, é um blog sobre…” mas não consegui sequer completar a cadeia de raciocínio. Então é isso mesmo. É um blog sobre nada. A magia disso é que eu não preciso me prender a nenhum tema. Eu posso escrever sobre o que eu quiser aqui. Ironicamente, um blog sobre nada me permite escrever sobre tudo.

Hoje eu escolhi compartilhar alguns pensamentos acerca da religião no mundo. E já aviso que sou agnóstico beirando o ateísmo, portanto não espere nenhum tipo de pregação patética sobre como o sangue de Jesus tem poder.

O embrião de praticamente todas as religiões se apoia em dois pilares: a necessidade de se explicar tudo aquilo que o ser humano ainda não tinha capacidade de compreender e a urgência em estabelecer regras de convívio social que permitissem a co-existência pacífica entre os integrantes de um mesmo povo (ou quase isso). O segundo aspecto para mim é especialmente importante porque demonstra que a religião foi a primeira fonte de normas para resolução de conflitos e condutas socialmente aceitáveis em geral. Ainda que muita coisa se resolvesse com derramamento de sangue naquela época, as religiões buscaram criar alguma forma aceitável de justiça (mesmo que divina) para resolver problemas do cotidiano.

Por sorte o raio atingiu duas pedras que estavam no chão. Acho que ninguém ia curtir ter que olhar pra bunda de Moisés pra consultar os dez mandamentos.

Várias passagens do Velho Testamento não deixam dúvidas sobre esta função, por exemplo:

“Quem tiver ferido de morte um animal doméstico, dará outro em seu lugar: vida por vida.”
Levítico 24:18

É claro que naquela época haviam valores diferentes e algumas normas eram um pouco extremas:

“O filho de uma mulher israelita, tendo por pai um egípcio, veio entre os israelitas. E, discutindo no acampamento com um deles, o filho da mulher israelita blasfemou contra o santo nome e o amaldiçoou. Sua mãe chamava-se Salumite, filha de Dabri, da tribo de Dã. Puseram-no em prisão até que Moisés tomasse uma decisão, segundo a ordem do Senhor. Então o Senhor disse a Moisés:
‘Faze sair do acampamento o blasfemo, e todos aqueles que o ouviram ponham a mão sobre a sua cabeça, e toda a assembléia o apedreje’.”
Levítico 24:10-14

Liberdade de opinião não era um conceito popular naquela época.

Enfim, deu pra entender meu ponto. A religião serviu para regular a vida dos homens enquanto estes estavam muito mais próximos da selvageria do que da vida pacífica em sociedade, já que não haviam outros meios de controle social. Toda a noção de certo e errado provinha da sabedoria “divina”, já que o homem médio naquela época tinha um entendimento bastante limitado acerca da organização social e do próprio mundo que o cercava.

Hoje temos métodos científicos estabelecidos e milhares de anos de experiência adquirida sobre como viver em sociedade (apesar de ainda assim termos problemas), e as pessoas continuam precisando de algo maior do que a vida para acreditar – seja por estupidez, desesperança ou tradição. Eu concordo que realmente precisamos acreditar em alguma coisa. Só não acho que a escolha mais acertada seja crer em explicações totalmente absurdas que conflitam diretamente com dados científicos comprovadamente verdadeiros (tipo aqueles malucos que negam as teorias de Darwin e dizem que dinossauros nunca existiram), e que muitas vezes vão contra a evolução da compreensão humana a respeito de si mesma e do universo.

O modelo tradicional de religião já se mostrou completamente incapaz de fazer o que fazia antes: não consegue exercer de maneira eficiente o controle social de modo a pacificar a vida em sociedade,  e também não consegue explicar mais nada de maneira coerente. No fim das contas, a Justiça e a Ciência tomaram seu lugar nestes papeis. À religião restou a tarefa de servir de “muleta” para que as pessoas se apoiem e não precisem pensar muito, dando uma falsa esperança de que há algum tipo de ente superior responsável pelas desgraças no mundo – é bem menos complexo do que entender todas as variáveis necessárias para que algo ruim ou algo bom ocorra.

Se você vai acreditar em algo, acredite em você mesmo, nas pessoas que ama, no potencial humano e na capacidade de afetar tudo a sua volta e ser igualmente afetado com suas ações; a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em direções opostas. A terceira lei de Newton pode ser lida de maneira análoga às palavras de uma figura conhecida no catolicismo:

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”. 
Mateus 7:12 

Err, quem disse isso foi Jesus, pra quem não sabe. Ele aparentemente não sabia escrever, no entanto.

Eu dei uma ultra-simplificada na minha opinião porque deu preguiça de continuar escrevendo. Viver em sociedade é bem mais complicado do que seguir uma frase dita por Jesus, mas enfim, esse é definitivamente um bom ponto de partida.

Eu nunca pensei que fosse escrever um texto citando a Bíblia. O título não tem nada a ver com o que acabei escrevendo aqui, mas o blog é meu e eu quis assim. Um site bastante interessante é o The Brick Testament, que ilustra passagens absurdas da Bíblia com peças de lego.

Ps.: Jesus foi só um cara; um cara bastante inteligente e sábio, como todos os grandes filósofos, mas só um cara.


Mecanismos de busca…

Ahhhhh, os mecanismos de busca! Ou melhor, quem é eu quero enganar? O Google… O Google é uma das mais importantes maravilhas da vida moderna. As pessoas vão ao Google para buscar tudo que anseiam, desde “receita de pão de queijo” até “o sentido da vida” – sim, pois o sentido da vida está no Google, em algum lugar.

Inspirado nisso, resolvi postar aqui algumas palavras-chave utilizadas em mecanismos de buscas que acabaram retornando meu blog. Antes de mais nada, é importante ressaltar que meu blog recebe visitas de somente três tipos de pessoas: amigos, fãs de cavaleiros do zodíaco (sério, só tenho três posts sobre isso mas como tem fotinha, as pessoas curtem) e pervertidos (você entenderá).

Foi um saco fazer esse gráfico

Leia e decida em qual das categorias você se encaixa (é possível – e provável – se encaixar em mais de uma):

“bacon” – Ok, eu venero bacon e falo bastante sobre isso, mas… assim? Do nada? Eu imagino que o site da Sadia e da Perdigão sejam mais relevantes que o meu, em termos de deliciosas maravilhas suínas.

“shun gay” – Totalmente compreensível se indagar a respeito disso, mas eu nunca falei que o Shun era gay. Eu disse que ele era uma mulher, e depois voltei atrás.

“galinha”moderna”logo” – Essa me intriga. Só me intriga. Por quê????

“cachorro com sono” – Sim, meu blog fala sobre cachorros com sono. Sério, eu nunca nem escrevi sobre isso.

“omelete ovo rinoceronte” – Essa me assustou. Eu espero que todos entendam que rinocerontes não colocam ovos. O nome do blog é uma farsa. UMA FARSA, entenderam? Por outro lado, caso a pessoa esteja procurando por receitas de omelete temperada com carne ou chifres de rinoceronte, compreendo totalmente. Deve ser bom, eu já comi carne de tatu, que é tipo um rinoceronte em miniatura sem chifres e completamente diferente de um rinoceronte.

“cavaleiros do zodiaco gays” – Eu até desconfio quem pode ter procurado por isso. Eu entendo que pensem isso do Shun, mas de TODOS??

“o que déve fazer quando eu me dou muito mau?” – Essa é divertida porque eu fico imaginando o cara se dando mal e indo pro pc todo tristonho, instigado pela vida a procurar na internet uma solução pros seus problemas. Mas, caso você esteja lendo isso, segue o conselho: o verbo “dever” não recebe acento nunca, e “mau” a gente só usa pra falar do Lobo Mau.

“cavaleiros do zodiaco real” – Eu detesto destruir os sonhos das pessoas mas tenho uma revelação… assim como o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e o Mestre dos Magos, os Cavaleiros do Zodíaco NÃO SÃO REAIS! Eu sei, é triste. O E.T. de Varginha, por sua vez, existe mesmo.

“rebeldes e tiranos” – Essa eu tô postando só porque fiquei orgulhoso por aparecer meu blog quando alguém procura por “rebeldes e tiranos”. Mais pela parte da rebeldia, apesar de a tirania até ter seu charme.

“barbie abraçada chorando” – Eu ri mas depois fiquei pensando… que tipo de doente quer ver uma “barbie abraçada chorando”? Tipo encolhida num canto, em posição fetal, depois de descobrir alguma verdade estarrecedora sobre o Ken (acho que todos nós sabemos qual é essa verdade)?

“coisa alguma gif” – Dica: procurando por isso dá pra encontrar basicamente tudo, menos o que você procura de fato.

“devaneio” –  Essa na verdade eu gostei, achei bastante honesto. O cara chega no Google e procura por um devaneio, o conceito é bem interessante. Como se fosse um outsourcing de devaneios, pra quê devanear se você pode procurá-los no Google?

“cavaleiros do zodiaco hentai gay” – Nem vou comentar muito. Quem digitou isso precisa se tratar (e conversar com o cara que procurou por “cavaleiros do zodiaco gays”, acho que eles vão ter bastante assunto).

“fotos de boneco dos cavaleiros do sodica” – Tinha que ter alguma com erro de português bizarro.

“ceia cavaleiros do zodiaco” – Posso estar enganado, mas acho que os Cavaleiros do Zodíaco nunca ceiaram juntos – nem sei se eles comemoram o natal.

“jogos que ninguem que” – Esse cara é malandro, ele quer os jogos que ninguém quer pois assim provavelmente as pessoas não relutarão em dá-los.

“pessoa lesada.gif” – Amigo, você está procurando por algo que está entre o monitor e a sua cadeira.

E chega. Começou a ficar sem graça porque as pessoas só chegam aqui procurando por Cavaleiros do Zodíaco, praticamente. O meu blog não é sobre Cavaleiros do Zodíaco!!! E muito menos sobre a sexualidade deles! Obrigado.

Ps.: Hoje é meu aniversário. Se você veio trollar, ao menos seja educado.


Em casa de ferreiro, espeto de pau

Eu nunca entendi esse ditado que dá título ao post. Inicialmente eu pensava que era “em casa de ferreiro, espelho de pau” e ficava ainda mais confuso, porque até onde sei ferreiros não fazem espelhos.

Ontem à noite resolvi refletir sobre o dito popular em questão com o intuito de chegar a uma interpretação lógica que permita sua compreensão. Eu queria uma só, mas cheguei a cinco conclusões:

1– O ferreiro não produz espetos de ferro. É simples. Ele se especializou em outra coisa, algo como… elmos vikings, ferraduras de cavalo… ou espelhos de ferro. Sendo assim, ele precisa comprar espetos de pau para fazer seus churrasquinhos de carne de gato.

Um ferreiro medieval trabalha enquanto sua família vinda do futuro o observa

2– O ferreiro até produz espetos de ferro, mas ele é brasileiro. Ele produz espetos de ferro de péssima qualidade, já que utiliza ferro de qualidade duvidável – pois todo o ferro de primeira é exportado pra China – e ainda por cima mescla com outros metais mais baratos no processo. Logo, o produto final é ruim. E ele quer coisa fina pra sua família, não essas porcarias que servem só “pros outros”. Além do mais, como ele é um comerciante fanfarrão, também não usaria seus espetos pra consumo próprio, pois pode lucrar muito mais vendendo-os.

3– O ferreiro não compra espetos de pau e este ditado é um engodo. Tipo aquela história de que manga com leite é uma mistura mortal. Não é! Além do mais o dito popular cria uma generalização burra e injusta. E toda generalização é burra e injusta. Paradoxo, pensem nisso.

Um ferreiro trabalha enquanto usa um bigode

4– O ferreiro compra espetos de pau mas também usa seus espetos de ferro. Na verdade o ditado em momento nenhum torna impossível essa interpretação, só diz que na casa do ferreiro há espetos de pau. Não é como se na casa do ferreiro SÓ TIVESSE ISSO. Apesar de não estar escrito, ele também tem um estoque enorme de elmos vikings em sua casa.

5– Essa é a minha favorita: apesar de não ter uma formação acadêmica e sequer saber escrever o próprio nome, o ferreiro é um homem muito sábio e tem uma noção incrível de Economia. Ele entende que faz parte de um complexo sistema econômico mundial interdependente e que precisa movimentar o comércio produzindo e consumindo bens. O ferreiro até poderia produzir espetos de ferro e utilizá-los em seus churrascos, mas prefere comprar espetos de pau do carpinteiro/marceneiro para que este, por sua vez, tenha dinheiro para ir à sua vendinha comprar, digamos, elmos vikings.

Ferreiros são mundialmente conhecidos por sua sabedoria

Aliás qual a diferença entre um carpinteiro e um marceneiro, afinal? Na minha cabeça um marceneiro é um carpinteiro da cidade com acesso a ferramentas elétricas. Tipo Jesus de óculos escuros empunhando uma serra elétrica. Na cidade.

Depois dessa, já deu. Espero ter esclarecido o significado do famigerado ditado.

 

————————————–EDIT————————————–

 Era mais ou menos disso que eu tava falando:

(Só que na cidade)


Nem todo mundo é herói

Uma coisa que se repete em praticamente todos os jogos é que o jogador é sempre o herói e acaba salvando o mundo. Claro que há exceções, mas pelo menos nos gêneros de RPG, Ação e Adventure, acaba sendo assim. Acontece que isso tá meio repetitivo, num tá não?

Na vida real, se um dragão milenar brotar de uma caverna e resolver destruir o mundo, eu não vou sair por aí com um pedaço de pau batendo em “minions”, vagarosamente me tornando mais experiente e conhecendo outros malucos dispostos a enfrentar a ameaça. Eu vou só torcer bastante pra que a ONU reúna um exército e resolva a situação sem que eu precise me levantar da minha poltrona.

Baseado nesse raciocínio e em um blog que acompanho (Livin’ in Oblivion), cheguei à conclusão de que o mundo precisa de menos jogos heroicos. Seilá, um jogo em que o objetivo principal seja “assistir todas as temporadas de Seinfeld”, ou algo assim. Ou talvez faça mais sentido viver a vida, também. O que eu sei é que não faz sentido ser um herói nos jogos e acabar se contentando em ser só mais um cara na vida real. Eu até já salvei uma menina de ser assaltada na rua, mas isso tá bem distante de viajar no tempo umas cinco vezes matando tudo que se mexe, derrotar Lavos e salvar o mundo inteiro no final. No entanto, se eu jogasse um jogo em que o objetivo principal é “ficar deitado por 3 horas olhando pro teto”, certamente meu feito na vida real pareceria mais heroico. Deu pra perceber onde quero chegar? Eu estou ignorando totalmente as barreiras entre “realidade” e “ficção”, mas faz algum sentido. No fundo todo mundo quer ser um protagonista da vida, e os jogos até cumprem um papel “digno” quando permitem que qualquer Zé vá lá e salve o espaço-tempo continuum diariamente. Mas em algumas situações o choque entre essa fantasia eletrônica e a realidade patética de suas vidas pode ser grande demais para algumas pessoas, fazendo com que simplesmente prefiram o “mais prazeroso” e se lancem com tudo nas vidas maravilhosas de seus heróis. A comparação é totalmente desleal:

Vida in-game: Elfo, Warlock, Level 257, boa aparência, articulado, terminou todas as side-quests, possui três mansões, uma namorada e quatro interesses românticos, tem 29 itens únicos em sua mochila, possui 999kkk em moedas de ouro no banco, anda com uma espada gigante, derrota todos seus inimigos em menos tempo do que o que eles levam para dizer  “espere, venho em pa-“;

Vida real: Gordinho, desempregado, superior incompleto, se acha feio, é gago, nunca terminou nada que começou, mora no sótão da casa da mãe, é virgem não por opção, possui uma coleção de action figures de Star Trek (dentro da embalagem original), tem uma conta bancária onde sua mãe deposita sua mesada, anda sempre com lenços de papel no bolso e adormece todas as noites após chorar copiosamente abraçado ao seu Spock de pelúcia.

Isso fica bem evidente quando lemos sobre casos extremos de chineses e coreanos que morrem literalmente de tanto jogar. Claro que não se pode colocar a culpa nos jogos se a vida do cara é uma merda . Ele tem uma grande parcela de culpa, também, além de termos que considerar que o vício revela problemas psicológicos e emocionais muito mais profundos. Porém, acho que às vezes os jogos oferecem uma “saída fácil” para uma vida mais agradável, permitindo que a vida real, chata e complicada, fique em segundo plano. É como oferecer uma cenoura a um coelho psicótico louco por cenouras. Ou como oferecer um copo de cachaça a um cara cuja personalidade o torna altamente propenso ao alcoolismo (e demais vícios). Acho que o segundo exemplo ficou mais claro.

E por mais que os casos extremos sejam raros, esse tipo de comportamento é bastante comum. É só perguntar pra qualquer gamer hardcore se ele prefere ler um livro ou passar 10 horas jogando. Não que “ler um livro” seja igual a “viver a vida plenamente e correr atrás de seus objetivos”, mas enfim. Esse comportamento entre gamers é uma forma de escapismo bastante poderosa. “Quem se importa se estou acabando com a minha vida e minha juventude, estou quase zerando Final Fantasy XXXIII e 1/3!”.

Pode ser um pensamento extremamente idiota, mas se os jogos não fossem tão fantásticos, talvez as pessoas conseguissem ser seus próprios heróis e não precisariam utilizá-los como “confortos” para sua existência medíocre.

Ou então passariam o resto de suas vidas jogando The Sims.

Relendo o post, acabei de perceber que transformei um assunto até interessante num sermão bem chato… Mas a vida é assim mesmo.