Primo rico, primo pobre

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Lembra de quando você era criança e no natal tinha aquela enorme reunião de família na sua casa? Recorda-se de seus parentes colocando os presents comprados debaixo da árvore natalina?

Então bem, chegada a hora da distribuição de mimos você, como todo bom juvenil ganancioso, ia direto naquele presente grande, com papel bonito, cheio de fitas e enfeites.

Porém, meio segundo depois, sua tia rica pega o presente da sua mão e profere uma frase que nunca mais desejaria escutar em sua vida:

- Não não. Esse presente não é para você.

Você, internamente, retrucava:

“Isso não é justo! O presente está na minha casa, ele tinha que ser meu!”

Mas não é.

É basicamente isso que acontece com o preço oficial do PS4 no Brasil. Ele não é para você, bom rapaz trabalhador, que dá sangue e suor para obter seu salário ao final do mês.

O PS4 é para seu primo mimado, que não faz a menor ideia do valor do dinheiro e depois ficará esfregando o que ganhou na sua cara até você conseguir comprar um, após meses economizando.


Pico da Bandeira, Povo de Satã, Sol e Lágrimas (nessa ordem)

Saí de BH dia 11/07, quinta feira passada. O ônibus tava marcado pras 21:40, mas como havia o risco de o trânsito estar fechado por causa de manifestações, acabei saindo de casa umas 19:30. Aconteceu que não tinha mais manifestação nenhuma e às 19:40 eu tava à toa na rodoviária. Como todo rapaz pimpão e perspicaz, eu separei coisas pra ler na viagem: O Silmarillion e V for Vendetta (eu sei, vergonha não ter lido ambos até hoje).

Como eu adoro Tolkien e sou muito coerente, escolhi o Alan Moore (Tolkien é sensacional, mas a leitura é mais pesada). E acho que gosto mais do Alan Moore, de qualquer jeito.

O tempo passou rapidinho e em pouco tempo eu tava no ônibus rumo a Manhumirim-MG, cidade próxima a Alto Caparaó-MG, onde fica o Parque Nacional do Caparaó, onde fica o Pico da Bandeira, onde fica o nascer do Sol, onde fica um núcleo imenso de hidrogênio em fissão nuclear (mas que eu não arrisco de conhecer de perto). O ônibus saiu religiosamente no horário, e como estava bem vazio, fiquei com a poltrona do meu lado vaga, podendo colocar minhas coisas e me sentir quase em casa pelas próximas 7 horas de viagem que me esperavam.

O engraçado (e um pouco alarmante) é que o ajudante do motorista passou pelo corredor perguntando pra cada pessoa se ela sabia o CAMINHO e AS ENTRADAS PARA AS CIDADES, porque era a primeira vez que tanto ele quanto o motorista faziam esse trajeto. Eu menti quando disse que achei isso alarmante porque de fato não tava com pressa, mesmo. E seilá, imagina se o ônibus fosse parar no Rio de Janeiro? Seria tão bom quanto!

Não tive problemas pra dormir no ônibus. Contudo, acordei quando o ônibus parou e começou a dar ré. Estávamos perdidos, obviamente. O motorista havia entrado numa das cidades e não sabia como sair. Em dado momento o ônibus subiu uns 100 metros de ré porque tinha ido parar num beco sem saída, e o motorista ainda teve que manobrar de ré numa curva (tive a ligeira impressão de que houveram danos a postes e carros estacionados, mas isso já não é problema meu e também não sei nem em qual cidade estávamos, caso você que está lendo isso tenha acordado na manhã do dia 12/07 e encontrado seu carro amassado). A única coisa que realmente encheu a paciência foram as senhorinhas reclamando, atrás de mim. Eu devo ter escutado “ai minha nossinhora” umas 200 vezes. Eventualmente o caminho certo apareceu e prosseguimos. Um detalhe engraçado é que esse ônibus vai parando nas cidades e deixando as pessoas nas paradas. Então lá pelas 02:30 eu tava sozinho no ônibus. Pensei em fazer algo aloprado, aproveitando a situação, mas lembrei que tenho quase 30 anos e que tava frio demais. Sem mais delongas, cheguei a Manhumirim às 03:30.

Rodoviária

Rodoviária deserta. Até que apareceu um vigia banguelo e estranho que me deu a excelente notícia de que o ônibus pra Alto Caparaó só sairia às 06:30. Eu teria que ficar três horas numa rodoviária gélida e vazia. Na verdade teria sido melhor que continuasse vazia, porque dali a um tempo chegaram uns caras esquisitos, com cara desses velhos cachaceiros, e ficaram sacaneando os vira latas que tavam ali. Me deu muita vontade de reagir, fazer alguma coisa, mas infelizmente não dava. Eu tava cheio de coisas na mochila, que tava bem pesada, e eles tavam em maior número que eu. Pelo menos eles pararam sem (aparentemente) machucar nenhum cachorro.

Passei essas três horas lendo mais V for Vendetta, assim que o barulho dos caras enchendo o saco dos cachorros parou. Eu não gosto de ler rápido, eu leio bem devagar. Então deu pra chegar seilá, na página 100.

O dia amanheceu nublado em Manhumirim, antes que o ônibus chegasse. Comecei a ficar preocupado com o rumo da viagem, porque subir o Pico da Bandeira com névoa/chuva/tempo fechado costuma ser mais difícil, e se estiver fechado demais você corre o risco de chegar lá em cima e não ver NADA. A esperança era de que, estando em uma altitude muito maior, o clima estivesse melhor por lá (acima da neblina). Por volta das 06:00 a lanchonete da rodoviária abriu e eu tomei um café com leite que, agora, tenho certeza que tinha lava líquida incandescente no meio. Foi bom pra esquentar, porque 3 horas passando frio costuma ser um pouco chato. Minha boca tá queimada até hoje, no entanto.

Às 06:30 o ônibus que me levaria pra Alto Caparaó (onde fica o Pico, onde fica o Sol, hidrogênio fissão nuclear morte instantânea) saiu e levaria menos de uma hora pra chegar ao meu destino. Nesse ponto da viagem eu já tava exausto, querendo muito dormir. Mas tive o cuidado de acordar de vez em quando pra: 1- checar como tava o clima (que parecia variar de SOL ESCALDANTE pra TREVAS NEBULOSAS de 5 em 5 minutos) e 2- não acabar indo parar em Guarapari, seilá. Mentira, porque eventualmente perguntei pro trocador e ele disse que Alto Caparaó era o ponto final daquela linha. Mas vai saber, né. Nada contra Guarapari.

Às 07:30 desci em Alto Caparaó, perto da igreja matriz da cidade e de umas pousadas. A cidade é linda. Toda arrumadinha, restaurantes legais, as casas todas pintadas (tanto casas novas quanto casas antigas). É uma cidade muito charmosa.

Qual a diferença entre o charme e o funk? O charme anda bonito e o funk NUBLADO PRA CACETE.

Pois é. Sete e meia da manhã já era pra ter dado tempo do “sereno” ter se dissipado. Mas esse era o menor dos meus problemas. Eu ainda tinha que achar um meio de chegar até a portaria (e subsequentemente ao acampamento) do Parque Nacional do Caparaó, que fica a 6km de distância da cidade. E não são 6km tranquilos, são 6km de subida intensa. Pedindo informações a respeito de como subir, fiquei sabendo que haviam diversos “jipeiros” fazendo o trajeto, por um valor que variava entre 50 a 60 reais por viagem. Se eu tivesse mais 4 pessoas comigo, dividiria esses 60 por 5 e pagaria 12 reais, feliz. Como eu tava sozinho e a cidade tava vazia (cheguei na sexta de manhã, o pessoal costuma chegar de tarde ou no sábado), decidi esperar um pouquinho num restaurante conhecido da cidade pra ver se aparecia alguém.

Não apareceu ninguém e eu acabei convencendo um “jipeiro” a me levar por 35 reais, até porque ele ia subir de qualquer jeito dali a algumas horas pra buscar um pessoal. Então ele adiantou a ida dele e no caminho foi me dando ótimas dicas sobre onde acampar, onde descansar na subida da trilha, etc. A única dica que eu segui foi a de que haviam instalado um chuveiro quente a gás no acampamento havia dois dias. Conforme subíamos, as nuvens foram ficando para trás e o céu foi se abrindo. Apesar de ainda um pouco inconstante, ao chegar no Parque o clima parecia bem mais favorável.

Vou explicar agora como é o Parque mais ou menos, pra ficar mais fácil se localizar nos próximos parágrafos. A entrada do parque fica a aproximadamente 3km de Alto Caparaó. Após a entrada, é necessário fazer mais um percurso de 3km até o primeiro acampamento, chamado Tronqueira. Da cidade até o acampamento da Tronqueira dá pra ir de carro, tem área pra estacionar e tudo mais. Na Tronqueira é onde tem o banho quente, um mirante lindo e uma guarita onde ficam alguns funcionários do parque. Não é permitido entrar com bebida alcoólica, fazer fogueiras nem acender churrasqueiras (isso se aplica ao parque todo), e esses funcionários fiscalizam o cumprimento dessas regras (em tese). O acampamento da Tronqueira fica a 8km de caminhada por trilha do Pico da Bandeira. Na metade desse caminho existe um outro acampamento, chamado “Terreirão”. Ele é mesmo um terreirão, é bem mais amplo, situado num platô no meio das montanhas. Há algumas casas de abrigo e de guarita, banheiro (frio), pias, etc. Muitas pessoas acampam lá porque dessa forma só é necessário subir mais 4km para o Pico. Essa era a minha intenção originalmente.

Sendo assim, cheguei ao primeiro acampamento (Tronqueira) decidido a passar direto, me dirigindo logo ao Terreirão para acampar. Sem perder tempo, peguei a trilha. Só que eu peguei a trilha errada, eu tava cansado e me confundi, pegando ao invés da trilha pro Terreirão, a trilha pro “Vale Encantado”, que é um vale lindo por onde passa um riacho onde se formam piscinas naturais e pequenas quedas de água límpida e absolutamente transparente.

Vale Encantado

Eu pensei que o Vale Encantado ficava no caminho para o Terreirão e continuei até o fim da trilha, só pra descobrir que não. Aí já tava tão cansado que resolvi voltar e acampar no acampamento da Tronqueira mesmo. Chegando à área de camping haviam apenas mais duas barracas e logo armei a minha para descansar da viagem. Enquanto eu armava minha barraca, um senhor chamado Nivaldo chegou também e foi armar a dele. Muito simpático, ele me disse que junto com ele estavam chegando mais 40 PESSOAS, vindas das terras malditas do Espírito Santo. O acampamento da Tronqueira não é muito grande (bem pequeno, na verdade), e não eram 40 pessoas educadas e silenciosas. Hoje eu sei que “Nivaldo” é simplesmente um anagrama para o hebraico “Vlaidon“, que significa “aquele que trará o caos e a desordem”. Eu posso ou não ter inventado isso.

No intervalo entre a minha chegada e a chegada dos 40 cavaleiros do apocalipse, armei minha barraca e fui ao mirante apreciar a vista enquanto o clima estava bom. Chegando lá haviam quatro pessoas, e eu vou ser muito preconceituoso dentro de algumas linhas. Eram dois senhores de mais ou menos uns 60 anos, e duas moças não muito mais velhas do que eu. Pensei se tratar de uma família, tipo pais e filhas, até que começou a rolar uns beijos e apelidos carinhosos demais. Levei alguns segundos pra entender que não era um incesto que tava acontecendo ali na minha frente. Eram todos muito educados e moderadamente simpáticos, porém. Tinham cara de gente rica de São Paulo. Quando um dos senhores me viu tirando fotos com o celular, se ofereceu pra tirar uma foto minha e, MAIS AINDA, SOUBE operar a máquina do meu celular, eu tive certeza. Essa gente rica acostumada a manusear smartphones mesmo depois dos 60 anos… Ele tirou essa foto aqui:

Mirante - Tronqueira

Saí do mirante direto para uma área mais elevada do camping, perto de uma pia de água natural, pra fazer um miojo e enfim comer alguma coisa que prestasse (meus padrões de qualidade pra comida são bem flexíveis, porque pra mim miojo é SIM uma refeição). Eu levei um mini fogareiro que foi muito útil e era realmente minúsculo, ao contrário de muita coisa que tem o prefixo “mini” (nada contra minissaias, não tô falando delas).

Miojo e Mini Fogareiro (Náutika)

Uma coisa engraçada é que foi só acender o fogareiro e uma gangue de quatis já me cercou, atraídos pelo cheiro do miojo, esperando minha distração ou pela oportunidade de me seduzir com seu charme de clone de guaxinim. Pior que eles chegam BEM PERTO e não se intimidam com palmas, gritos, pisões fortes no chão ou qualquer outro comportamento obviamente lunático. Esses bichinhos tão tomando conta do Brasil. Todo mundo preocupado com corrupção, violência, e os quatis sorrateiramente galgando espaço, conquistando poder, ocupando territórios. VAMO ACORDAR, BRASIL! 

Enfim. Voltei pra minha barraca e o portal de convocação satânica já tinha trazido as 40 pessoas diretamente das profundezas mais terríveis da Terra. Criança correndo e gritando pra todo lado, aqueles tios cachaceiros conversando aos berros mesmo estando um de frente pro outro, gente jogando TRUCO (sério, eu odeio tanto truco que nem vou começar a falar, eu só vou dizer que: pra mim, truco é um sinal de que a humanidade tá no caminho errado da evolução).

Mas paciência, né? Não tinha outro jeito, barraca já tava armada e era aquilo ali mesmo. Tentei cochilar pra dar uma descansada. Em determinado momento, senti algo cutucando meu dedo do pé (que tava meio que estufando um dos lados da barraca, já que eu estava deitado). Era uma criança. Ela cutucou de novo e disse, brincando “cadê você?”. Eu recolhi meu pé e permaneci em silêncio. Quando a criança rodeou a barraca e se aproximou de novo, eu estufei bruscamente a parede da barraca com as mãos, em posição de ataque, enquanto soltei um grito de guerra inspirado no bravo William Wallace. Ela fugiu imediatamente, para nunca mais retornar. Acordei do meu péssimo cochilo disposto a encontrar mais gente pra subir a trilha comigo, mais à noite, porque subir sozinho é meio arriscado (apesar de muito bem sinalizado e muita gente subir nos mesmos horários).

Avistei um pessoal que tinha mais cara ser “minha gente” (leia-se: que não parecia ter sido criado por Lúcifer para trazer discórdia ao mundo) e perguntei se eles iam subir naquela noite do dia 12/07, e se eu podia ir junto. Eram 4 caras de Viçosa, aparentando mais ou menos a minha idade, e disseram que tudo bem. Iriam sair do acampamento da Tronqueira às 20:30, fazer uma pausa de descanso no Terreirão e às 02:30 da madrugada sair de lá para subir os 4km finais em direção ao Pico, chegando assim a tempo de ver o nascer do sol. Achei a ideia ótima e combinei de ir com eles. Isso era umas 14:30, e pensei que até lá daria pra descansar. Voltei pra minha barraca pra tentar dormir (dessa vez usando os fones do celular como “tampões” improvisados pros ouvidos). Eu acabei alternando entre cochilos, já que com o passar da tarde mais gente chegava. Eventualmente chegou ao acampamento um grupo de talvez umas 10 pessoas. Essas pessoas claramente tinham orientação oposta aos 40 capixabas infernais, já que ao invés de cachaçada, truco e criançada encapetada, eles preferiam tocar violão e cantar música de igreja, louvando bem alto esse Deus que aparentemente é surdo. Ou cantar  “Zombie”, do Cranberries, pra sempre (sério, essa música não tinha só uns 4 minutos?). Eu não vou falar que a mocinha que cantava era dolorosamente desafinada porque isso seria maldade. E porque eu já disse, então tanto faz, até porque também sou terrivelmente desafinado e posso falar isso (tipo aquela coisa de negão poder chamar o outro negão de negão, mas eu não poder chamar o negão de negão porque senão é racismo).

12/07, 20:30. Me encontrei com o pessoal de Viçosa e fizemos os últimos preparativos para a subida (caralho, o post tá longo desse jeito e o Pedro do passado ainda nem começou a trilha pro pico). Eu percebi que os caras de Viçosa tinham bem mais experiência nesse tipo de viagem do que eu. Eram todos muito simpáticos e amigáveis, e me deram várias dicas (tanto diretas quanto indiretas, porque observei bastante o que eles faziam, levavam, etc). Uma coisa, por exemplo: nunca levar somente uma lanterna. Minha lanterna, na hora que estávamos prestes a sair, deu mal contato e parou de funcionar. Não ligava mais, nem a pau (e eu tentei batê-la numa mesa de pau, então, literalmente). Voltou a acender quando subimos o primeiro degrau da escada que levava à trilha. Sorte, mas se tivesse outra lanterna comigo não tinha passado esse sufoco.

Começamos os primeiros 4km da jornada bem animados, conversando, andando em ritmo relativamente rápido mas tranquilos e parando pra descansar ocasionalmente. O pessoal era bem divertido e o tempo passou rápido, até porque esse trajeto inicial entre o acampamento da Tronqueira e o acampamento do Terreirão é fácil. Quase metade do caminho é mais ou menos plano e se chega até mesmo a descer em alguns momentos (pra subir o dobro depois, mas enfim). É uma trilha tranquila, apesar de longa. Eu estava bem agasalhado e não senti frio, muito pelo contrário, tive que tirar gorro, cachecol e luvas logo no começo porque já sentia calor pelo ritmo da caminhada. Não tirei a jaqueta e acabei suando bastante, o que provaria ser uma fragilidade terrível futuramente.

Sem muito esforço, após cerca de duas horas chegamos ao acampamento do Terreirão. Ali já ventava muito e o nevoeiro molhava bastante. Era pouco mais de 23:30 e nos dirigimos a uma das estruturas construídas do Terreirão para nos abrigar do vento e da névoa. Escolhemos o banheiro porque havia uma parede que parecia barrar a maior parte do vento, devido à sua localização. Estendemos nossos sacos de dormir bem rentes à parede e tentamos descansar até as 02:30. Fazia muito frio e, já deitado, eu me lembrei de uma das dicas do jipeiro: ali era o pior lugar para se abrigar, por ser muito úmido e ficar diretamente no pé da serra, exposto a ventos mais rigorosos. A preguiça falou mais alto e eu não disse nada, achei que não teria problema. Os caras de Viçosa, muito mais bem equipados do que eu, estenderam lonas e isolantes térmicos de alumínio para forrar o chão em que colocariam seus sacos de dormir. Eu não tinha nada disso (e eles não tinham nenhum reserva, porque se tivessem eu sei que me emprestariam, eram todos muito solícitos). Estendi meu saco de dormir no chão molhado e frio e tentei dormir.

O vento, apesar de barrado pela parede, às vezes vinha pelo outro lado, trazendo junto a névoa molhada. Minhas roupas, já molhadas de suor, gelavam meu corpo e eu acabei ficando com bastante frio. Apesar disso, consegui alternar entre momentos de “cochilo” e “terror” até 01:30 da manhã, quando o frio se tornou intenso demais e eu não consegui mais pensar em nada além de “putamerda, o que eu tô fazendo aqui, vou embora”. Tirei a cabeça do saco de dormir e vi que alguns dos caras tinham ido pra dentro do banheiro, que apesar de úmido, meio sujo e fedorento, estava mais protegido do frio. Levantei e fui pra lá também, onde não deu pra dormir mas pelo menos dava pra ficar sentado longe do frio, aguardando a hora de continuar para o Pico da Bandeira.

Finalmente nos levantamos todos e chegou a hora de prosseguir. Eu já tava molhado, mas não completamente. Então decidi colocar minha capa de chuva para não piorar a situação (meus tênis, claramente inadequados para trilha, estavam encharcados… acho que sou o único na história a subir o pico da bandeira usando All Star). Fora os tênis, ainda havia esperança pro resto das minhas roupas, que ainda tinham algumas camadas secas.

Pegamos a trilha final de 4km pro Pico da Bandeira. Essa trilha é bem mais intensa que a primeira, apesar de não apresentar um grau de dificuldade muito alto. Apenas no trajeto final foi necessário utilizar as mãos, e somente em dois ou três subidas mais fortes. É bem mais íngrime que a primeira trilha, mas nada muito absurdo. O que realmente incomodava era a chuva fina que vinha horizontalmente, empurrada pelo vento forte. Novamente fomos conversando, quando o fôlego permitia, e parando para descansar em pontos que permitiam que nos assentássemos ou nos escorássemos em pedras. O frio aumentava, mas aumentava também o calor pelo esforço da subida. Essa sensação era estranha, mas era melhor sentir calor do que passar de novo aquele frio que passei no banheiro do Terreirão.

Por volta das 05:00 ainda estava escuro quando chegamos ao Pico. Lá fazia muito frio e ventava ferozmente. Já completamente encharcado, não tinha como mais me aquecer e precisava esperar mais ou menos uma hora até o sol nascer. Foi uma hora de bastante frio, daqueles que você sente até no osso. Nos abrigamos numa parte mais baixa do pico, em que ventava e chovia menos. O dia começou a clarear, anunciando que o nascer do sol estava próximo. Ao olhar ao meu redor, me deu um desânimo imenso por constatar que estava muito nublado e que talvez a vista não fosse ser bonita. Sinceramente já tava tão cansado e com tanto frio, que considerei nem mesmo presenciar o nascer do sol.

Conforme o dia foi clareando, mais e mais pessoas chegaram ao pico e se posicionaram mais acima para avistar o sol nascer. Devia haver mais de 60 pessoas por lá. Poucos minutos antes de o sol nascer eu resolvi que iria lá ver, mesmo assim; mesmo com a neblina e a garoa gelada que batia incessantemente no meu rosto. O local onde estávamos estava encoberto por uma neblina fina, e mais acima, até onde se perdia de vista o horizonte, havia mais nuvens.

Sem muito aviso ou cerimônia, no meio dessas nuvens, um pontinho incandescente começou a aparecer. Não era possível avistar a linha do horizonte, mas esse pontinho a denunciava pois era ali que o sol começava a sua jornada diária. Em poucos minutos (segundos? não sei, o tempo ali pareceu tomar um ritmo próprio) a luz do sol coloriu de laranja toda a névoa que nos cercava, e para todo lado que eu olhasse era possível ver e sentir o sol. A névoa, por conta dos ventos, parecia flutuar, oscilando sua altitude, e assim também oscilava toda aquela luz, ora azul ou esbranquiçada, quando a névoa subia e se tornava mais densa, ora laranja ou rosada, quando a névoa descia e se tornava mais fina e permitia a chegada dos raios solares.

Eu acho que só eu gostei desse efeito borrado que a água na lente causou.

Acho que só eu gostei desse efeito borrado que a água na lente causou.

Eu nunca vi um nascer do sol tão único. A névoa molhou a lente da câmera e de vez em quando as fotos saiam borradas, como essa aí em cima. Mas isso tudo fez parte dessa alvorada tão especial.

Apesar de cansativo, o caminho é tranquilo a ponto de crianças e pessoas mais velhas conseguirem chegar ao pico. Uma dessas crianças estava ao meu lado, junto com sua família, e a ouvi dizer “Isso é a coisa mais bonita que já vi… o dia mais bonito da minha vida”. Criança esperta, ela tinha razão e não falava só por si, porque agora mesmo enquanto escrevo isso meus olhos se encheram de lágrimas alegres ao lembrar da sensação de presenciar um evento tão lindo.

Assim que o sol subiu um pouco mais no céu, era hora de voltar porque o caminho era longo e estávamos todos cansados. Estávamos em um grupo de cinco, contando comigo e mais Renato, Moisés, Marinho e Douglas, os caras de Viçosa. Eu e o Moisés levamos câmeras (a dele inclusive era uma Nikon D90, cujas fotos ficaram incríveis) e resolvemos descer mais devagar, sem pressa, apreciando a paisagem e tirando mais fotos. Infelizmente tava claro demais e isso costuma ser ruim pra minha câmera, que é levemente péssima. O caminho de volta foi bem mais longo do que o de ida, até porque fomos bem devagar, parando, apreciando a paisagem. Em uma parada que fizemos na descida para descansar e beber água, um passarinho resolveu se aproximar da gente, curioso. É incrível como os pássaros lá não têm tanto medo da gente. Eles chegam bem perto, se afastam só quando a gente se mexe bruscamente ou fala mais alto.

Se alguém souber o nome dessa espécie, por favor me diga.

Claro que rolou um “zoom”, mas mesmo assim. Chegou bem perto.

Cheguei no acampamento às 12:30 do dia 13/07 extremamente cansado e fui direto pra barraca. O povo de Satã continuava sua festança pagã e desgraçada, e me chateou um pouquinho o fato de a fiscalização do parque ter feito vista grossa pros engradados e mais engradados de cerveja que esse pessoal levou. Acho que num programa assim, o legal é curtir a natureza e sua perfeição, e não ficar berrando e cuspindo cerveja pro alto. Mas cada um valoriza aquilo que tem condições de valorizar.

Acabei conseguindo dormir porque estava tão cansado que nem mesmo a algazarra de Belzebu me atrapalharia (muito). Apesar de acordar em alguns momentos com o barulho, o que realmente me acordou e me deixou nervoso foi um quati curioso que tentou rasgar minha barraca COMIGO DENTRO pra levar embora minha comida. Eu utilizei a mesma tática do grito de guerra do William Wallace e ele voltou mesmo assim, o que me obrigou a sair da barraca e marcar meu território, arremessando galhos e pedras em direção aos quatis para que eles percebessem que O GIGANTE ACORDOU E AS COISAS VÃO MUDAR, GENTE CHEGA DE ROUBALHEIRA #FORADILMA WHISKY COM ENERGÉTICO 10 REAIS EU LI V FOR VENDETTA ABAIXO O SISTEMA!!!1!11

Essa foto foi tirada pelo Moisés

O líder da quadrilha.

Levantei ao anoitecer e fui conversar com o pessoal de Viçosa. Eles me ofereceram carona até Manhumirim, quando saíssem na manhã de domingo, no dia 14/07. Eles haviam ido em dois carros e sobrava espaço para mim, além de Manhumirim ficar mais ou menos no caminho deles. Pessoal muito gente boa, de verdade. Daí fui dormir e domingo de manhã o Moisés foi lá me avisar que eles já estavam se arrumando pra ir. Tudo tranquilo, arrumei minhas coisas e partimos. Às 11:00 eles me deixaram em Manhumirim onde eu pegaria meu ônibus para BH, que sairia apenas às 18:40. Eles se ofereceram em me deixar em Manhuaçu, de onde sairia um ônibus para BH ao meio dia, mas eu não sabia se seria possível trocar a passagem e fiquei em Manhumirim.

Eles foram embora e resolvi perguntar no guichê se eu poderia pegar o ônibus de Manhuaçu e ele disse que sim. Droga. Acabei arrumando um taxista pra me levar lá em Manhuaçu, porém o preço era 40 reais. Eu só tinha 31 reais no bolso e mais uma vez contei com a boa vontade das pessoas daquela região em me dar um desconto. Cheguei em Manhuaçu na conta de pegar o ônibus pra BH. Entrei, sentei no meu lugar e terminei V for Vendetta quando o ônibus se aproximava da entrada para Belo Horizonte, às 18:00 (eu sei, devia ter dormido mas tava num capítulo muito interessante e aí foi indo, indo, fondo).

Voltando à realidade de cidade grande, me deixaram no centro de BH, onde atravessei a avenida Afonso Pena e presenciei um assalto. Um pivete parou um rapaz e o fez abrir a mochila e entregar o dinheiro que tinha. O pivete era baixinho, menor que o cara, eu fiquei sem entender por quê ele não reagiu. Cheguei a ir pra cima mas foi tudo muito rápido e, cansado e com mochila pesada nas costas, preferi não arriscar brigar. Peguei meu ônibus e fui embora.

A viagem foi linda, mas é engraçado porque, recapitulando e estabelecendo como exceção as pessoas excelentes de Viçosa e de Alto Caparaó/Manhumirim, tudo que não foi “lindo e perfeito” nessa viagem é essencialmente proveniente de seres humanos e suas relações tortas com o mundo, a natureza e seus semelhantes.

Eu devo mesmo ser um druida.

Não queria terminar esse relato todo de maneira pessimista, mas isso tudo que eu escrevi é rigorosamente o que aconteceu (inclusive o portal satânico que trouxe os 40 capixabas infernais – isso tudo é verídico eu só não tirei foto porque achei melhor me esconder quando vi a Xuxa organizando o tráfego de seres malignos que saíam das entranhas do Inferno).

Mais fotos da viagem aqui: Flickr

Ps.: Silmarillion tá lá na minha cabeceira sem ter sequer sido tocado (sério, ele magicamente pulou pra lá quando abri minha mochila, tadinho… ainda vou ler).

Ps2.: O Pico da Bandeira tem 2.892 metros e é o ponto mais alto localizado totalmente dentro do território brasileiro, além de ser o mais acessível. No quadro geral, fica atrás apenas do Pico da Neblina e do Pico 31 de Março (com 2.994 e 2.972 metros, respectivamente, ambos situados na fronteira com a Venezuela).

Ps3.: Todas as distâncias que eu descrevi são aproximadas, e na verdade podem muito bem estar completamente erradas, porque tô sem saco de conferir e resolvi depender única e exclusivamente da minha memória.

Ps3.2.: Na verdade, se você parar pra pensar bem, tudo isso pode ser uma mentira. Eu, você, esse post, luta livre na TV, Mr. M, isso pode ser tudo uma grande farsa criada por algum tipo de alucinação pós morte. Então não faz muito sentido questionar a exatidão dessas distâncias todas, se for pra ser sensato.


Documentários sobre merda que não existe

Hoje em dia diversos canais exibem documentários sobre eventos envolvendo alienígenas, fantasmas, animais fantásticos, seres e fenômenos sobrenaturais em geral. Aliás, existem documentários sobre quase qualquer assunto, seja ele pertinente ou não. Desde aquela famigerada cena da necrópsia do extraterrestre no Fantástico, os programas que exploram elementos desse tipo passaram a me atrair mais. São alguns dos melhores programas de comédia involuntária da TV. Eu tenho certeza que quase ninguém concorda comigo, porque os documentários são realmente feitos para serem sérios e os apresentadores sempre acreditam que vão conseguir filmar um fantasma, o Sasquatch, um alienígena e o chupacabra, todos juntos em uma confraternização.

Só que nunca filmam. Sabe por que? Porque essas coisas todas existem, aparecem todos os dias pra todo mundo e sempre são filmadas na câmera de baixa resolução de alguém que sofre do Mal de Parkinson, mas elas não concordam com o corporativismo da mídia capitalista. Se recusam a participar deste espetáculo sensacionalista em que a informação é só mais um produto e o conhecimento é manipulado e enlatado para se enquadrar nos interesses políticos e econômicos da elite dominante. Sem falar que as equipes sempre aparecem para fazer seus documentários nos dias de folga dos e.t’s, aparições fantasmagóricas e demais seres sobrenaturais.

A gente começa a pensar quando as pessoas se perguntam se um toco num lago é um elasmossauro.

E assim começa a comédia involuntária. Primeiro porque quem produz esses programas são pessoas que genuinamente acreditam nessas coisas. Geralmente o cara que teima que vai conseguir provar a existência de seres ou fenômenos sobrenaturais é aquele que mora numa casa completamente entulhada de posters, porcaria sem sentido e variada baboseira pseudo-científica que, de acordo com ele, deixa claro que estes seres ou fenômenos existem. Esse cara é aquele desequilibrado levemente divertido com quem ninguém consegue discutir por mais de 10 minutos porque, quando se discute com alguém que não se prende à realidade científica de fatos devidamente comprovados como base de seus argumentos, você está sempre errado – e invariavelmente acaba sendo chamado de alienado. É óbvio que também existem milhares de charlatães explorando “o sobrenatural” por aí, mas em geral eles não vão parar no Discovery ou History Channel e sim em algum programa de comédia, vestidos de alienígena, segurando uma lanterna e pedindo pra pegar uma concha da mão dos outros.

Segundo porque, em 100% destes documentários, a equipe chega ao local onde aparentemente todo dia aparece um fantasma/e.t./chupacabra/pé-grande/unicórnio/político honesto e o ser em questão não aparece. Nem rastro. Nem uma pegada, nem um tufo de pêlo. NADA. Os apresentadores então se veem obrigados a ter que forçar a barra porque oras, uma fucking emissora internacional entregou um caminhão de dinheiro pra eles fazerem um documentário e, se não tiver nada pra filmar, não tem documentário, não tem audiência, não tem retorno financeiro, mas tem um contrato que certamente irá estuprar os pobres documentaristas caso não seja cumprido.

“OLHE LÁ! ISSO É INCRÍVEL, VOCÊ ESTÁ VENDO O MESMO QUE EU? UM RARO DRAGÃO ALBINO MALIGNO EM FORMA DE CACHORRO VINDO EM NOSSA DIREÇÃO! É EXATAMENTE COMO FALAM AS LENDAS LOCAIS, MAL POSSO ACREDITAR”

Assim, como não encontraram nenhum traço real de que o objeto de sua busca existe, os intrépidos documentaristas resolvem colher depoimentos de quem supostamente teve mais sucesso. Nunca é alguém confiável. Simplesmente não se vê alguém sociável, psicologicamente saudável e bem sucedido de olhos arregalados falando por aí que viu um chupacabra comer seu rebanho de ovelhas inteiro. É sempre uma pessoa solitária e carente que mora numa casa de madeira em um ponto remoto onde fica sem nenhum contato humano por dias ou semanas. É sabido que nessas condições a mente humana não funciona bem.

Apesar de ser bastante cético, sou adepto da ideia de que conhecemos relativamente pouco até mesmo do planeta em que vivemos – diversas espécies de animais e novos fenômenos físicos e químicos são descobertos regularmente. Sendo assim, é bem possível que haja ainda muitos animais e fenômenos bizarros a se descobrir. Mas sério, no desespero de fazer um documentário chinfrim qualquer, vocês estão passando vergonha (ok, e enchendo o rabo de dinheiro, mas enfim)! É só um toco/eco/reflexo à distância! Não é um pé-grande, uma aparição fantasmagórica maligna ou um OVNI. A desculpa para até hoje nenhum documentário ter provado absolutamente nada a respeito da existência de seres ou fenômenos sobrenaturais é a de que estes seriam eventos “sutis” e difíceis de se registrar. Tá, você me diz que um primata hominídeo de 2 metros e meio é SUTIL? Por outro lado, se me disser que ele é mais esperto que você, eu acredito. Porque faz bastante sentido. E ele deve ter habilidades psíquicas também, já que sempre adivinha quando que equipes de filmagem vão estar lá nas redondezas de seu humilde lar e resolve sair de férias pra Acapulco na mesma época, pois não aguenta todo esse assédio.

Há uma explicação lógica e bastante simples para isso tudo: se estão fazendo um documentário para provar algo muito absurdo e óbvio que ainda não foi descoberto, é porque tal coisa não existe. Por outro lado, se não é necessário fazer um documentário para provar a existência de determinado ser ou fenômeno, este é indiscutivelmente real. Um exemplo clássico: nunca fizeram um documentário sobre o monstro que habita os espaços existentes embaixo das camas à noite, especialmente quando se está sem sapatos e demorando muito para colocar os pés de volta na cama. É… Ou algo assim.

Surpreendido enquanto fazia cooper, o Pé-Grande nunca mais deu mole pra papparazzis e vive atualmente no ostracismo. Chupa, Revista Caras.

Neste texto foi dada mais ênfase ao Pé-Grande, alienígenas e monstros em geral porque fantasmas dão um medo da porra e são totalmente reais, além de poderem estar em qualquer lugar – na minha casa eu tenho certeza que um fantasma acaba com a manteiga além de esvaziar o filtro d’água e não encher de novo. Então prefiro evitar falar muito pra não ser assombrado durante a noite.

Concluindo… Seilá. Foda-se.


Aleatório

Achei isso aqui nos meus arquivos. Acho que foi quando eu comprei “Assassin’s Creed: Brotherhood” no Walmart e levou uma eternidade pra chegar.

15:53:41 Aline Dias dos Santos diz:
Olá Pedro . Seja bem vindo ao atendimento chat do Wal Mart. Como posso ajudá-lo?

15:53:47 Pedro  diz:
Boa tarde

15:53:52 Aline Dias dos Santos diz:
Boa tarde, Pedro.

15:54:05 Pedro  diz:
É o seguinte: tentaram entregar um pedido meu lá em casa hoje, e não tinha ninguém

15:54:17 Pedro  diz:
Então eu queria pedir para entregarem amanhã, pois vou estar em casa com certeza

15:54:28 Pedro  diz:
Já que segunda feira provavelmente tb não vou estar em casa…

15:55:03 Pedro  diz:
(a não ser que eu misteriosamente adoeça e seja obrigado a ficar de repouso, ao invés de trabalhar)

15:55:43 Aline Dias dos Santos diz:
Por gentileza me confirme o número do CPF ou do CNPJ cadastrado no site e seu e-mail.

15:56:05 Pedro  diz:
************

15:56:48 Aline Dias dos Santos diz:
Qual o e-mail de cadastro?

15:56:59 Pedro  diz:
*****.****@gmail.com

15:57:20 Aline Dias dos Santos diz:
Por favor, aguarde um momento que estou levantando as informações necessárias.

15:57:27 Pedro  diz:
OK

16:01:32 Aline Dias dos Santos diz:
Pedro, muito obrigada por aguardar. Informo que uma nova tentativa de entrega do pedido 2477350 ocorrerá em 08/02/2011.

16:01:44 Pedro  diz:
não!
eu quero sábado!

16:01:58 Pedro  diz:
mesmo que seja no outro sábado

16:02:10 Pedro  diz:
ou então que entregue aqui no meu trabalho, que fica em outro endereço

16:02:17 Pedro  diz:
senão vai chegar lá e não vai ter ninguém de novo

16:02:47 Aline Dias dos Santos diz:
Pedro, nossas entregas não são realizadas aos sabádos e a data limite informada no ato da compra é 08/02/2011.

16:03:06 Pedro  diz:
Putz… então eu quero que entregue aqui no meu trabalho, no dia 08/02

16:04:12 Aline Dias dos Santos diz:
Não é possível alterar o endereço de entrega.

16:04:42 Pedro  diz:
Mas vcs não estão me dando alternativa, como eu vou fazer para receber meu produto??

16:04:53 Pedro  diz:
Eu só quero ser feliz!

16:05:13 Pedro  diz:
E isso depende do meu jogo chegar! Se não conseguir entregar depois do dia 08/02, vai cancelar num vai?

16:05:28 Pedro  diz:
Tem como mandar entregar em alguma loja da Walmart aqui em Belo Horizonte?

16:05:44 Aline Dias dos Santos diz:
Pedro, na finalização da compra a data de entrega foi informada. A tentativa de entrega antes da data foi um beneficio que não posso prometer que vá ocorrer novamente.

16:06:13 Pedro  diz:
Eles não falam a data exata de entrega não, eles falam o prazo para entrega, q é bem diferente

16:06:32 Pedro  diz:
Se falassem a data exata eu teria recebido já

16:06:39 Pedro  diz:
(pq eu saberia q dia q ia chegar)

16:07:33 Pedro  diz:
Qual é a transportadora, vc pode me informar? Assim eu posso ligar lá e seilá, pegar com eles ou arrumar um jeito de eles entregarem em um horário q eu esteja em casa

16:10:35 Aline Dias dos Santos diz:
A transportadora que fará a entrega do seu pedido é a Total Express.

16:10:50 Pedro  diz:
Ok, como eu entro em contato com eles?

16:13:08 Aline Dias dos Santos diz:
Deseja outras informações neste momento?

16:13:46 Pedro  diz:
Sim, eu quero saber como entro em contato com eles!!!

16:15:34 Aline Dias dos Santos diz:
O acordo firmado entre o Walmart e a transportadora não permite contato entre a transportadora e o cliente final, sendo assim não é possível rastrear o pedido. Caso haja qualquer problema a transportadora entrará em contato conosco e nós o informaremos sobre o ocorrido.

16:16:15 Aline Dias dos Santos diz:
Deseja outras informações neste momento?

16:16:24 Pedro  diz:
Ahhhhh tá de brincadeira né… Então eu quero receber o produto, estou disposto a fornecer outro endereço e não pode, quero contactar a transportadora e não pode, o q q eu posso fazer para receber meu produto?

16:17:59 Pedro  diz:
ou vcs querem q eu perca um dia de trabalho para receber o produto???

16:23:58 Pedro  diz:
oi? tem alguem aí?

16:24:48 Pedro  diz:
quer teclar?

16:25:18 Aline Dias dos Santos diz:
Pedro, conforme informei é encessário aguardar a entrega.

16:25:55 Pedro  diz:
olha só, eu já consegui ligar na transportadora Total Express, e lá achei um telefone para atendimento (e um link para rastreamento). Eles me disseram que vão entregar amanhã lá em casa.

16:26:21 Pedro  diz:
Fica de sugestão, se houverem problemas parecidos. A total express tem um site e é possível ligar lá para agendar inclusive o dia da entrega. Ok?

16:26:32 Pedro  diz:
Mais alguma dúvida com relação à entrega, senhora?

16:26:54 Pedro  diz:
Agradeço o seu contato, tenha uma boa tarde!

Duas semanas depois eu perdi o jogo e nunca mais o vi.


Dia do amigo

“Dia do amigo é todo dia. Tirando quando seu amigo bate o carro bêbado depois de ser roubado por um travesti e resolve te ligar pedindo ajuda. Nesse dia, num é dia do amigo não.  ‘Se f*der pra lá com suas confusões.”

- Um sábio muito sábio (e específico).


Melancia

Eu acho que demorei um pouco pra falar da profecia Maia de que o ano vai acabar em 21 de dezembro de 2012. Pois bem. Nem vou entrar no mérito se vai mesmo acabar, como vai ser ou o que eles queriam dizer com “o fim de um ciclo”. Vou comentar um detalhe mais importante.

Em algum lugar aí diz que o "mundo vai acabar". Ou não.

Atualmente em quase todo o mundo se conta os anos com base no ano do nascimento de um cara bem famoso, o primeiro popstar: Jesus Cristo. Estudiosos e religiosos entraram num consenso de que sua data de nascimento seria pra sempre considerada um marco na história da humanidade. Assim, foi convencionado que a história humana (ocidental, pelo menos) seria dividida em “Antes de Cristo” e “Depois de Cristo”, começando a última a partir do ano 1, o ano em que esse cara nosso magnânimo salvador nasceu (sério, o que seria de nós sem o Natal e todos os feriados cristãos?).

No entanto, estudiosos mais competentes, muitos séculos depois, se deram conta que na própria Bíblia estão presentes fortes elementos que indicam que Jesus na verdade nasceu pelo menos 2 ou até 7 anos antes da data anteriormente convencionada. A explicação é bem simples: na Bíblia fica claro que o nascimento de Jesus se deu sob o reinado de Herodes, o Grande. Porém Herodes, o Grande, faleceu no ano 4 antes de Cristo (imagino que o caixão devia ser imenso).

É engraçado porque, assim, é possível facilmente  concluir que Jesus nasceu antes de Cristo.

Voltando à profecia Maia. A data “malévola” é 21/12/2012, né? Faz até sentido, o número é meio cabalístico (21122012, ficaria mais legal se fosse em 20 de dezembro o derradeiro fim: 20122012). Só que essa data não chegou ainda. Vai demorar pelo menos 2 anos pro mundo “acabar”, por culpa de alguns vacilões que nem leram a porcaria do livro que eles próprios escreveram. Tudo bem, eu também não reli minha monografia quando a terminei, só queria me formar logo… mas minha monografia nunca mudou toda a história humana causando guerras, discórdia e intolerância – por enquanto.

Na verdade, se formos considerar a data do nascimento de Jesus como marco inicial para contagem dos anos, estamos no máximo em 2010. Em 2010. E 21/12/2010 é (foi) uma data que não mete medo em ninguém (não meteu, quando passou de mentirinha). Podemos até estar em 2005 ainda. E se eu me lembro bem, no ano de 2005 da nossa contagem falha, o mundo não acabou também.

Isso quer dizer que o calendário ali no canto inferior direito da sua tela é provavelmente uma grande mentira. Até eu posso inventar um modo de medição de data baseado em qualquer coisa e vai estar tão certo quanto o calendário do Windows atual calendário cristão.

Eu juro que a piada pareceu boa quando eu a imaginei...

Essa confusão toda me faz pensar que nos preocupamos tanto em “medir” o tempo que acabamos nos embananando e perdendo o ponto principal de registrar sua passagem: aproveitá-lo bem. Porque não faz tanta diferença como se mede o tempo, o que realmente importa é como o utilizamos.

E não só individualmente mas também como um todo. Nesses milhares de anos fizemos, enquanto espécie, muita merda. Fizemos muitas coisas boas também, mas ainda temos um longo caminho para melhorar e não merecer de fato o nosso próprio e prematuro fim.

Ps.: O “mundo” não vai acabar, nós vamos acabar. Só porque percebi que acabei de fato não falando disso. E isso é bem óbvio, também. É só pensar no quão grande é o universo e no quanto somos pequenos, frágeis e nocivos a nós mesmos.


não vá

Música nova. Simples, feita em alguns minutos num lampejo de criatividade em uma dessas madrugadas.


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